Greve chega em seu 8º dia mesmo após anúncio de Michel Temer

Caminhoneiros seguem protestando em ao menos 25 estados e no Distrito Federal

Miguel Schincariol/AFP

Mesmo após o novo pronunciamento do presidente Michel Temer no último domingo (27), anunciando as novas medidas para conter a paralisação, os caminhoneiros seguem protestando nesta segunda-feira (28) em ao menos 25 estados e no Distrito Federal.   

Temer anunciou que o preço do diesel sofrerá uma redução de 0,46 centavos por litro pelos próximos 60 dias. Além disso, o governo publicou três medidas provisórias isentando a cobrança de pedágio para eixo suspensa, a garantia de 30% dos fretes para autônomos e uma tabela com valores mínimos para os fretes rodoviários.

A Petrobras também anunciou hoje (28) um novo reajuste no preço da gasolina nas refinarias. O preço do litro da gasolina cairá 2,84% a partir desta próxima terça-feira (29). Apesar deste novo anúncio de redução, o repasse do corte para o valor pago pelos consumidores nas bombas depende dos donos dos postos.

Segundo a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), os caminhoneiros aprovaram as medidas, mas disseram que precisam de tempo para desmobilizar os motoristas parados nas estradas, pois nem todos tomaram conhecimento da decisão tomada pelo presidente Temer. Hoje, a greve completa seu 8º dia de manifestações.

Veja a situação dos serviços essenciais

Transporte

Capitais com transporte público afetado nesta segunda-feira:

  • Aracaju: frota 30% menor;
  • Belo Horizonte: redução de 50% fora do horário de pico;
  • Goiânia: frota 15% menor;
  • Cuiabá: frota 50% menor;
  • Campo Grande: frota 15% menor;
  • Florianópolis: operação com horários de sábado;
  • João Pessoa: frota 30% menor;
  • Natal: frota reduzida;
  • Palmas: frota 5% menor;
  • Porto Alegre: frota reduzida fora do horário de pico;
  • Recife: demora nos pontos;
  • Rio de Janeiro: frota 60% menor (BRT 65%);
  • Salvador: frota 40% menor;
  • São Luís: frota 30% menor;
  • São Paulo: frota 30% menor (rodízio suspenso).

Aeroportos

Na manhã da segunda-feira, ainda estavam sem combustível 7 dos 54 aeroportos administrados pela Infraero:

  • São José dos Campos (SP);
  • Uberlândia (MG);
  • Campina Grande (PB);
  • Juazeiro do Norte (CE);
  • Aracaju (SE);
  • João Pessoa (PB);
  • Teresina (PI).

Combustível

O reabastecimento dos postos ainda não foi normalizado. Em diversas cidades pelo país, há filas nas poucas bombas que ainda possuem combustível. Mesmo onde a mobilização foi encerrada, a oferta nos postos deve levar dias para ser normalizada e a polícia está escoltando os caminhões-tanque para garantir o abastecimento.

  • Em Alagoas, o porto de Maceió foi liberado, as alguns postos ainda estão fechados e os preços variam muito onde há combustível;
  • No Ceará, o abastecimento nos postos de Fortaleza foi normalizado nesta segunda-feira;
  • No Espírito Santo, cerca de 80 postos receberam combustível e o domingo foi de fila para motoristas que quiseram garantir o abastecimento para a semana;
  • Cerca de 70% dos postos de Goiás estão sem combustível. Na capital, 90% dos postos estão sem etanol e 35% está sem etanol e gasolina;
  • No Maranhão, 30 de 250 postos conseguiram abastecimento no domingo;
  • No Mato Grosso do Sul, cerca de 80% dos postos de Campo Grande foram abastecidos;
  • Abastecimento está normalizando na capital do Pará, após o fim da interdição no porto de Miramar;
  • Na Paraíba, a situação está mais complicada em Campina Grande, onde não havia posto com combustível na manhã desta segunda-feira. Em João Pessoa, as filas estão grandes;
  • O governo de Pernambuco informou que 30 caminhões saíram do Porto de Suape com escolta para reabastecer os postos;
  • Com 90% dos postos sem nada na capital do Piauí, a prefeitura de Teresina decretou situação de emergência;
  • Na capital do Rio Grande do Sul, pouco mais de 30 de 280 postos possuem combustível;
  • No Distrito Federal, a Polícia Militar escoltou 47 caminhões-tanque na manhã desta segunda-feira;
  • Em Rondônia, a capital foi reabastecida com gasolina e diesel, mas no interior continua sem. Em Ariquemes, o reabastecimento de um posto durou apenas 2 horas;
  • Em Santa Catarina, distribuidoras ainda estão bloqueadas - apenas caminhões para polícias, bombeiros e tranporte público são liberados. Dos 295 municípios, 254 relataram problemas;
  • Desabastecimento atinge 95% dos postos de todo o Tocantins. Palmas está sem desde quinta-feira;
  • Em Sergipe, alguns postos ainda têm dificuldades, enquanto um limitou as vendas em R$ 100 para atender mais motoristas;
  • Em Piracicaba, no estado de São Paulo, um motorista diz ter ficado 12 horas na fila para abastecer. A cidade de Birigui decretou estado de emergência.

Educação

Em ao menos 13 estados não há aula nas universidades federais: Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocantins. Não haverá aula na rede estadual de ensino em diversos estados e no Distrito Federal.

  • São Paulo: USP, Unesp, Unicamp e Unesp suspenderam aulas; Etecs e Fatecs delegaram a cada unidade avaliar se as atividades são mantidas ou não. Veja a situação na região de Piracicaba e na Baixada Santista;
  • Paraná: cada setor da UFPR decide se vai parar. Na Universidade Tecnológica Federal todas as aulas estão suspensas, assim como nas unidades da PUC-PR em Curitiba, Londrina, Maringá e Toledo. Veja as demais instituições do estado;
  • Maranhão: Ufma, Uema, Ceuma, UNDB, Estácio e Pitágoras suspenderam as aulas;
  • Salvador: universidades estaduais e federais cancelaram as aulas, assim como escolas da capital e região metropolitana;
  • Goiás: aulas na rede estadual estão mantidas, mas professores da UFG vão "flexibilizar" o registro das faltas e vão evitar atividades para nota;
  • Distrito Federal: na rede pública, apenas creches funcionam. No ensino superior, Universidade Católica, Iesb, UDF e Anhanguera suspenderam as aulas. UnB e UniCeub funcionam normalmente;
  • Mato Grosso: UFMT está completamente parada, as aulas da rede estadual foram suspensas e outras instituições declararam ponto facultativo;
  • Minas Gerais: UFMG, faculdades particulares, escolas públicas e privadas não têm aulas;
  • Pará: aulas na Ufra suspensas em Belém, Capanema, Capitão Poço, Paragominas, Parauapebas e Tomé-Açu;
  • Paraíba: algumas faculdades determinaram ponto facultativo, outras suspenderam as aulas. Veja quais escolas estão afetadas;
  • Pernambuco: expediente na UFPE, IFPE, UPE e UFRPE seguem cancelados, assim como em algumas universidade particulares. Aulas na rede estadual estão mantidas;
  • Rio de Janeiro: as 5 maiores universidades públicas estão com aulas suspensas. Estácio de Sá, Cândido Mendes, ESPM, IBMR e Veiga de Almeida também não abrem as portas. Rede municipal não opera, mas escolas estaduais abrem normalmente;
  • Rio Grande do Sul: pelo menos 10 universidades começam a semana sem aulas. O ensino básico em Porto Alegre funciona;
  • Rio Grande do Norte: as atividades administrativas e aulas foram suspensas em 10 dos 21 campi do IFRN;
  • Santa Catarina: unidades das redes pública e privada estão com funcionamento interrompido;
  • Sergipe: escolas da rede estadual estão fechadas no estado, mas alunos da rede municipal de Aracaju têm atividades normais. A UFS suspendeu as aulas;
  • Tocantins: UFT, Unitins e IFTO anunciaram suspensão. Em Araguaína, aulas na rede municipal serão suspensas a partir da terça-feira (29). Em Palmas, a rede municipal funciona.

Alimentos

Assim como os combustíveis, os mercados e feiras também devem levar algum tempo para retomar a oferta normal de alimentos nos lugares em que o tráfego já foi liberado.

O abastecimento de carne de aves e suínos pode demorar até dois meses para se normalizar depois que for encerrada a greve, segundo os produtores. Nos lugares onde ainda há itens frescos, o preço aumentou.

  • Rio de Janeiro: em vez de deixar vazio o setor de frutas e hortaliças, um mercado em Niterói ocupou as prateleiras com café e torradas;
  • Espírito Santo: caminhões com alimentos voltaram a entrar nas centrais de abastecimento;
  • Goiás: abastecimento no Ceasa está comprometido em 30%, e uma loja do McDonald's fechou as portas por falta de produto;
  • Rio Grande do Norte: No Ceasa de Natal, algumas lojas não abriram as portas. Os preços dispararam e alguns produtos tiveram reajuste de 250%. A batata, por exemplo, que era vendida a R$ 2 o quilo, subiu para R$ 7;
  • Mato Grosso do Sul: a Ceasa-MS recebeu 40 caminhões, mas ainda tem preços elevados;
  • Pará: central recebeu na madrugada coentro, quiabo, couve, caruru, chicória, vagem, mamão, abacaxi, laranja, ovo, cebolinha, jambu, pimenta de cheiro;
  • Paraíba: situação crítica na capital e interior. Preço da batata já aumentou cerca de 200%;
  • Pernambuco: dos 540 caminhões previstos para abastecer o Ceasa/PE, chegaram 185 até as 6h30 desta segunda-feira;
  • Rio de Janeiro: nenhum caminhão chegou na Ceasa até às 7h;
  • Rondônia: estoque de frutas e vegetais no estado está quase zerado, segundo o sindicato. O prejuízo para o setor é estimado em R$ 1 milhão;
  • Santa Catarina: o desabastecimento está em torno de 85% na Ceasa;
  • Tocantins: na maioria dos supermercados das principais cidades não há mais verduras e frutas. Na Ceasa, itens como ovos, batata, cebola, cenoura estão em falta.

Saúde

Uma carta assinada por 106 hospitais privados em todo o país informou não ser mais possível garantir o cuidado a pacientes a partir desta segunda-feira (28) se a paralisação continuar. As entidades citam dificuldade de acesso para médicos e funcionários, além de falta de alimentos, ambulâncias paradas e problemas no recolhimento de lixo.

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Os hospitais e unidades de saúde públicos já sofrem com falta de combustível e materiais, o que causa cancelamento de cirurgias agendadas e outros atendimentos:

  • São Paulo: cirurgias eletivas nos hospitais municipais estão adiadas, para guardar insumos para os atendimentos de urgência e emergência. Também está suspensa a remoção de pacientes para exames eletivos e de rotina nas Unidades Básicas de Saúde (UBS);
  • Goiás: ambulâncias do Samu e hospitais têm condições de operar até sábado (2), mas algumas cirurgias eletivas foram suspensas no interior do estado por falta de insumos;
  • Distrito Federal: suspendeu atendimento primário nas UBS, ambulatórios de especialidade e cirurgias programadas. Os servidores dessas áreas vão reforçar urgências e emergências;
  • Minas Gerais: cirurgias agendadas foram suspensas e ambulâncias circulam com restrição;
  • Rio de Janeiro: cirurgias eletivas estão suspensas na rede estadual, estoque de sangue está baixo e falta doadores;
  • Santa Catarina: cirurgias agendadas estão suspensas na rede estadual e em 15 hospitais particulares ou filantrópicos.

Outros serviços

  • Correios: cerca de 85% das correspondências não foram entregues no Espírito Santo;
  • Gás de cozinha: em Goiás, 95% das distribuidoras registram a falta do produto, que já chega a R$ 100. Na Paraíba, o preço do botijão bateu R$ 130. Em Pernambuco, o exército está escoltando caminhões com gás. No Distrito Federal, a situação só deve normalizar no fim de semana;
  • Coleta de lixo: algumas regiões de Belo Horizonte não terão coleta nesta segunda. No interior, do Rio GRande do Sul, algumas cidades também suspenderam a coleta. No ABC paulista, a operação dos caminhões de lixo em São Bernardo do Campo e Santo André foram impactadas;
  • Telefonia e internet: empresas de telecomunicação dizem que a falta de combustível afeta a capacidade de fazer manutenção e ativações - uma delas chegou a pedir à Anatel o abastecimento preferencial da frota nos mesmos moldes da polícia.

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Fonte: G1

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