Empresas participam de evento sobre LGPD no Reclame AQUI

Advogados deram detalhes sobre a nova Lei Geral de Proteção de Dados e tirou muitas dúvidas dos participantes

Reclame AQUI

O brasileiro nunca foi obrigado a informar o CPF, conforme assegura o próprio Código de Defesa do Consumidor. Mas, existem estabelecimentos que usam estratégias de convencimento para que o dado seja informado, para assim armazenar mais dados pessoais e fazer o cruzamento deles sem consentimento do cliente. 

Pensando nisso, nesta quinta-feira (11), o Reclame AQUI, em parceria com a empresa de advocacia Baptista Luz, promoveu um encontro para as empresas que querem entender mais sobre a nova lei brasileira de proteção de dados e preparar as companhias para a implementação da LGPD.

A programação começou com Mauricio Vargas, CEO Global do Reclame AQUI, falando um pouco sobre Privacidade: Sinônimo de Confiança. Em seguida, Renato Leite, sócio da Baptista Luz e especialista em LGPD, e Fernando Bousso, advogado da Baptista Luz, deram início à palestra sobre a importância, as mudanças e as vantagens que as empresas têm ao seguirem essa nova regra.

“A lei não é uma lei de internet. É uma lei que se aplica tanto no online quanto no offline. Ela se aplica tanto no privado quanto no público e para dados pessoais corporativos. O conceito de dados pessoais é muito abrangente e as empresas têm até agosto de 2020 para poder proceder com as alterações”, afirmou Renato Leite em entrevista ao Reclame AQUI Notícias.

Processo de adaptação do Reclame AQUI

Ainda segundo Leite, o escritório está assessorando o Reclame AQUI no processo de adaptação. “Na verdade, o processo de adaptação é uma grande transformação da empresa, não simplesmente você ter uma política de privacidade ou ter questões de transparência, é revisitar a forma como a empresa utiliza adequadamente os dados pessoais”.

“E hoje, temos que entender que o uso adequado de dados pessoais é garantir a privacidade do consumidor e isso é uma relação de confiança. É uma demonstração de comprometimento, porque eu quero que aquele consumidor continue sendo o meu cliente, mostrar que eu respeito as opiniões e decisões dele. É isso que temos feito com o Reclame AQUI”, completou.

Para Mauricio Vargas, a lei vai proteger muito os consumidores brasileiros. “As empresas precisam aprender de uma vez por todas a respeitar as informações colhidas de seus clientes. A nova lei vai obrigar muitos empresários a se adaptarem e trabalharem com mais transparência”. 

Mudanças de comportamento 

Com a nova lei, a relação entre clientes, empresas e informações pessoais sofrerá mudanças significativas, com direito a multas caso as regras sejam violadas. “Enquanto as empresas forem feitas por pessoas, a lei deve que ser aplicada”, afirmou Renato Leite.

Para Lorena Lima, representante da Universidade Estácio, mesmo o assunto sobre LGPD estando em alta, as empresas têm muitas dúvidas que geram uma dupla interpretação sobre o assunto. “Então, o evento deixou bem mais claro quais são os limites, até onde a empresa pode ir e qual a adequação da companhia. E temos que correr atrás disso. Precisamos nos adequar, porque, como foi dito no evento, não vai ter uma fiscalização oficial, a fiscalização é do próprio consumidor e esse consumidor é bem rígido”, disse.

Já para Mayara Gusmão, representante da Jaguar Land Rover Holdings Limited, a palestra foi muito importante para abrir a mente e obter algumas ideias para a companhia. “Eu vim com uma ideia de aprender sobre o assunto e levar apenas à área jurídica, mas agora saí com uma ideia de implementar não só na área jurídica, mas na área de marketing também”.

Uma das representantes da empresa Helbor, Carina Medeiros, disse que “quanto empresa, nós enxergamos essa ideia do Reclame AQUI, de pensar nos cliente muito boa e isso já é um passo à frente nessa história toda. Recebemos esse estímulo do Reclame AQUI de forma muito positiva”.

Carina ainda acrescenta que a Helbor já está em processo de fechamento com uma empresa para esse tipo de atividade, que a gente já vem pesquisando desde o começo do ano. “Mas agora que estamos saindo deste evento, resolvemos dar um passo atrás e esperar para receber o orçamento deles, e depois de fato decidir. Mas o evento fez com que enxergássemos de uma outra maneira algumas coisas”.

Paula Cosentini, outra representante da Helbor, afirmou que “por enquanto, não há nada concreto e o Renato ser bem crítico com o assunto nos tirou muitas dúvidas, já que também não tem nem jurisprudência para você se basear em alguma coisa. Então, quanto mais você pecar pelo excesso, é melhor, pelo menos é o que achamos. Agora, é trabalhar”.

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