Consumidor prepare seu bolso, a conta de luz ficará ainda mais cara

Com nível baixo de chuvas, o governo utiliza as usinas termelétricas que geram energia 7 vezes mais cara.

Os próximos seis meses serão tensos para o bolso do consumidor, isso porque a tarifa de luz, que já acumulou 40,16% só em 2015, vai continuar em alta. As chuvas esperadas para aliviar os níveis dos reservatórios de água até vieram, mas não foram o bastante. Com o nível baixo, resta ao governo utilizar-se da geração de energia vindo das usinas termelétricas.

De maio a outubro, o nível dos reservatórios das hidrelétricas no Brasil só diminuirá. Com o nível das águas em baixa, são acionadas as termelétricas, que geram energia por meio da queima do óleo e gás, por exemplo. Com o uso das termelétricas se poupa água da geração hidrelétrica, o problema é que essa geração chega a ser sete vezes mais cara que a hidrelétrica.

As usinas termelétricas são responsáveis por cerca de 20% de toda a eletricidade consumida atualmente no País. O Governo Federal vem mantendo, desde 2012, as térmicas ligadas. O resultado disso e do represamento de preço até 2014, ano eleitoral, é que o consumidor sentiu quatro aumentos na conta de luz só neste ano. Foi o reajuste anual, a revisão extraordinária, o início da bandeira tarifária e o aumento da bandeira tarifária. Na bandeira vermelha, que está vigente, o consumidor paga um adicional de R$ 5 a cada 100 kWh consumidos. Na amarela, o adicional é de R$ 2,50. Na verde, não há acréscimo.

Possibilidade de racionamento

A situação dos reservatórios pinta um cenário pior do que o de 2001, ano de racionamento no Brasil. Mas, agora, as térmicas impedem que a situação se agrave. Além disso, a indústria passa por uma redução na produção, demandando menos energia.

Segundo o especialista em energia elétrica e eficiência energética, Tomaz Nunes Cavalcante, não dá para pensar o no problema em curto prazo. “Se chegar em novembro com 10%, tem que rezar outra vez para São Pedro. Está na hora de colocar medidas técnicas para se pensar médio e longo prazo”.

Conforme o consultor de Energia da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Jurandir Picanço, é preciso chegar a novembro com o nível médio dos reservatórios em, ao menos, 10%. Esse índice e o acionamento das térmicas garantem o abastecimento – mesmo que a um custo mais alto.

“Praticamente todas as térmicas estão em operação. São centenas no País todo. Com os níveis dos reservatórios em 60%, não iria precisar de tantas térmicas. Aí cairia para bandeira amarela. Precisa ter muitas chuvas para entrar na bandeira amarela e talvez na verde”, analisa Jurandir.

Fonte: O Povo online

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