Com 7,3 mil queixas no Reclame AQUI, PDG pede recuperação judicial

Construtora PDG, que chegou a liderar o mercado, não respondeu nenhuma reclamação em 2016

Divulgação/Modificada por EXAME.com

Depois de longos períodos de maus resultados, a construtora PDG anunciou nesta quarta-feira, dia 22, o pedido de recuperação judicial, na comarca da capital paulista.

PDG no Reclame AQUI: construtora terminou 2016 com 1.937 reclamações

De acordo com o documento, a decisão foi tomada porque o acordo de reestruturação de dívidas celebrado com os bancos não surtiu o efeito esperado. O plano previa prorrogação de pagamentos de juros e amortização de principal, além de novo financiamento para cobrir despesas gerais e administrativas.

No comunicado, a empresa explica detalhadamente os motivos que a levaram a tal estágio.

Em agosto de 2015, a companhia iniciou um processo de reestruturação de dívidas para reforçar o fluxo de caixa e otimizar a estrutura de capital das 500 sociedades do grupo.

Um ano depois, a companhia fechou um acordo com Bradesco, Itaú Unibanco, Caixa e Banco do Brasil para prorrogar pagamentos de juros e amortização da dívida bilionária, na época de R$ 1,5 bilhão – hoje, ela já passa de R$ 7 bilhões.

 

No Reclame AQUI

Dentro do setor de construtoras, a PDG aparece na segunda posição das empresas mais reclamadas da categoria. No geral (de fevereiro de 2014 a fevereiro de 2017, a empresa somou 7.396 reclamações. Já em 2016, a incorporadora recebeu 1.937 queixas, contra 2.756 recebidas pela MRV Engenharia, que lidera o ranking. 

Veja o ranking: confira tudo sobre o setor de construtoras no Reclame AQUI

Em 2015, a PDG ainda respondia pelo Reclame AQUI, mesmo com mais queixas, foram 2.824. No entanto, respondeu 89,5% dos casos. Tanto em 2015 como em 2016, a empresa ficou como "não recomendada" segundo a avaliação dos consumidores no Reclame AQUI.

 

Construção arriscada

A PDG chegou a ser uma das maiores construtoras do país, com uma carteira bilionária de terrenos e imóveis e operações espalhadas por vários estados do país.

Criada por ex-sócios do Banco Pactual, a construtora deu um salto em 2010 ao comprar a Agre, empresa do investidor Enrique Bañuelos que, por sua vez, havia incorporado Abyara, Agra e Klabin Segall.

No ano seguinte, os lançamentos da construtora chegaram a 9 bilhões de reais em valor geral de vendas, fazendo com que ela desbancasse grandes companhias tradicionais do setor, como Cyrela e MRV, do reinado imobiliário brasileiro.

Porém, assim como a grande maioria das empresas do setor, a PDG passou a sentir os desafios de ter crescido demais, criado expectativa demais, em meio a um surpreso cenário de crise para o mercado.

Assim como as concorrentes, a PDG havia expandido os negócios para regiões Nordeste do país e por isso terceirizado boa parte das obras que vendia na planta. O descontrole dos canteiros gerou o atraso na entrega de obras e o descompasso entre o planejado e feito das grandes construtoras do país.

“Todas sofreram naquela época. Mas a PDG sofreu mais porque tinha investido alto na expansão e o tombo, assim, foi maior”, afirmou um empresário do setor em dezembro.

Fontes: G1 e Exame

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