Boato de bebidas que causariam câncer volta a ser assunto no ReclameAQUI

Consumidores buscam reclamações sobre alerta falso que começou a circular em 2003

Reprodução

Você já ouviu falar numa história que algumas bebidas teriam uma grande quantidade de substâncias tóxicas como Fenofinol Ameido e Voliteral e que, por isso, causariam mau funcionamento dos rins e câncer? Se sim, adianto, é boato. Se nunca ouviu, saiba de uma coisa, é boato de qualquer jeito. Claro que ouvimos todos os dias sobre os males no abuso do consumo de refrigerantes e, claro, de álcool. Mas neste caso, é história falsa mesmo.

As buscas por reclamações feitas sobre esse caso ou sobre o assunto estiveram entre os 20 assuntos mais pesquisados no site ReclameAQUI na última segunda-feira, dia 6.

A história começou em 2003, voltou a ser assunto em 2006 e em 2015, quando alguns consumidores procuraram as empresas pelo ReclameAQUI para saberem da veracidade da história. Foi o caso de um reclamante de São Paulo que fez uma queixa em agosto de 2015 para a Skol. Veja abaixo a reclamação na íntegra, que consta o alerta falso.

Boa tarde, recebi um comunicado e gostaria de comprovar a veracidade das informações, pois consumo constatemente o produto.
Segue anexo o comunicado.
 
ALERTA GERAL
Não beba Skol!
A propaganda parou… Por quê?
Reparem… A propaganda quase não se vê mais na mídia… Porque será???
Estamos repassando o e-mail abaixo para conhecimento e prevenção, principalmente para aqueles que bebem esta cerveja: Skol.
Este e-mail está sendo repassado dentro do Hospital que trabalha uma pessoa amiga.
Fato já está confirmado:Vinte e três pessoas já passaram pelo Hospital das Clínicas com um mesmo sintoma: falta de atividade renal e o aparecimento de tumores no reto.
Todos os internados relataram o começo das dores e a conseqüente internação após ingerirem altas doses de Skol.
Pesquisas realizadas pelo renomado Instituto Fleury, apontaram grande quantidade de Fenofinol, Almeido e Voliteral, substâncias tóxicas e que causam, respectivamente, a má atividade dos rins e câncer.
Segundo Dr. Paulo José Teixeira, formado pela USP e Especialista em Toxicologia, as pessoas não devem ingerir mais a citada cerveja.
A Direção da AMBEV já assumiu sua culpa e prometeu indenizar os pacientes e todos aqueles que venham a se contaminar com a cerveja.
 
Pelo amor de “DEUS”… Passem esta mensagem para frente.
Pelo sim e pelo não, vamos tentar remediar enquanto há tempo.
Lembre-se: Divulgar a todos de sua família, é a consciência de cada um que deve decidir, mas a nossa deve estar tranqüila.
 
Monique Freitas
Soc.Bras.de Cardiologia/Secretaria.
 

Desde 2003

O fato começou em 2003, por e-mail, quando um comunicado "importante" alertava sobre os riscos de se consumidor algumas marcas de bebidas. O que talvez cause muita dúvida das pessoas é que no final do texto há a assinatura de Monique Freitas, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, incluindo telefones para contato para que internautas pudessem confirmar a denúncia.

Sim, a Monique existe, mas sua conta de e-mail foi hackeada para que espalhassem o boato, também conhecido como "hoax".Só que com o avanço da tecnologia e novos internautas todos os dias, parece que a história nunca vai ter fim. Vire e mexe alguém resolve soltar o texto de novo em redes sociais. Aliás, fique atento com o seu WhatsApp.

 

Por que é mentira?

Antes de mais nada, essas substâncias citadas no relato nem mesmo existem. Várias bebidas já foram citadas: os refrigerantes Guaraná Kuat, Fanta Uva e a cerveja Skol.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia, que tem seu nome na assinatura do comunicado, mandou explicou para a reportagem do ReclameAQUI Notícias que Monique de Freitas era uma secretaria da SBC que trabalhava na sede no Rio de Janeiro, mas não trabalha na entidade desde 2012. "Em 2003, ela teve o computador invadido por hackers que roubaram a assinatura eletrônica dela e começaram a postar mensagens falsas todas relacionadas à indústria de bebidas".

Uma reportagem do Diário do Grande ABC, de 2003, alerta também que o "diagnóstico é atribuído ao Instituto Fleury e traz ainda a recomendação do médico Paulo José Teixeira, supostamente formado pela USP e especialista em toxicologia, de que as pessoas não deveriam ingerir mais a bebida. O Instituto Fleury repudiou publicamente o uso indevido de seu nome como, também, atestou jamais ter analisado o refrigerante".

Em 2015, a história voltou com tudo, e o jornal Extra conseguiu um posicionamento da Coca-Cola. "Todos os produtos do portfólio Coca-Cola Brasil atendem aos mais rígidos controles de qualidade e às determinações legais em vigor”. Para o jornal, a empresa disse ainda que as substâncias citadas, “fenofinol”, “almeido” e “voliteral”, não tem nenhum registro nos livros técnicos de referência para substâncias químicas, colocando em dúvida sua existência.

Então, se por acaso você receber essa mensagem, já pode fazer duas coisas, pelo menos. Primeiro é não acreditar, segundo é avisar quem te mandou que ele está compartilhando um história falsa.

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