Ausonia Donato: “Educação requer coragem e teimosia, espírito de aventura criativa e criadora”

Educadora com mais de 50 anos de experiência emociona e ensina na abertura da 3ª edição do RA Trust Experience 2020

Reclame AQUI

O Reclame AQUI Trust Experience 2020 começou com muita emoção e aprendizado, na entrevista com a educadora Ausonia Donato, feita pelo fundador do Reclame AQUI, Mauricio Vargas.

Ausonia, que não tem redes sociais, emocionou milhares de brasileiros que viram suas participações em programas reproduzidos na internet falando sobre educação, suas experiências ao longo de 56 anos dedicados a seus alunos e, acima de tudo, a ter esperança.

Para Vargas, Ausonia é o símbolo da esperança, definição que emocionou a educadora. E sem demora, ela explicou de onde tira inspiração para manter a esperança viva em si e nas outras pessoas.


"O verbo esperançar implica em movimento"

“Há muitos anos sigo os pensamentos do professor Paulo Freire e tento praticar como educadora. Existe o verbo esperar. A esperança do esperar ela não mobiliza. Não acontece nada porque você se acomoda, e quando se acomoda, para diante de algo. Quando não se sente instigado, está desesperançado. Quando espera, fica sossegado e parado. O esperançar é outro verbo, que implica em movimento para que você cresça, conheça e experiencie. E isso é muito importante porque mesmo os jovens, diante da primeira dificuldade, consideram como um obstáculo impossível. Temos que transformar em desafio, que é possível. E é muito difícil ter essa esperança de agir. A gente vai conseguir esperançar, mobilizar mais, quando ver coletivos, equipes, porque o indivíduo não consegue enfrentar sozinho”, explica Ausonia.

Em sua conversa com Mauricio Vargas, ela contou suas experiências e percepções sobre educação e o poder transformador de educar. Para a Ausonia, “educação sozinha não transforma, mas também sem ela nada se transforma. Depende de outros setores e outras circunstâncias, inclusive sociais, não dá pra isolar”.  

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Educação na pandemia


Quando a conversa focou nas dificuldades em educar no cenário atual, com as mudanças trazidas pela pandemia, a educadora ressaltou que os professores têm um grande desafio além do tecnológico: que é o de manter vivo nos estudantes a vontade de aprender. E alertou para que os educadores não incorram no tecnicismo.

“É um grande desafio, porque alguns professores estão tornando os alunos tarefeiros, quando o mais importante é que o aluno não perca a vontade de aprender. O cognitivo repõe, recupera fácil, já o afeto tem que garantir. Como mantém o vínculo com o aprendizado? O professor que consegue isso, precisa socializar e compartilhar pra que mais professores saibam como agir. Existe uma experiência que só se dá na escola, claro, mas precisamos conversar muito mais do que repassar conteúdo”, analisa.

A educadora encerrou a conversa de abertura do RA Trust Experience afirmando que não existe educação sem sonhos e utopias. E que os grandes valores humanitários ela aprendeu com seus pais, mas os teve reforçados na escola. E contou uma experiência que a ajudou a enxergar o que é educar.


A escolha de ser professora
 

“Eu fiz uma escolha pra ser professora, houve intencionalidade, desde pequena me preocupava com a aprendizagem. Aos 15 anos, uma professora me escolheu para uma pesquisa sobre o universo de vocabulário das crianças para produzir uma cartilha. Falei com crianças de classes sociais distintas. E eu saí perguntando se as crianças sabiam o sentido das palavras, e uma delas era surpresa. Fui no alto da Lapa, em São Paulo, e um menino me respondeu que é “quando meu pai chega no portão com o motorista e a gente vai ou pra fazenda ou para a casa da praia”. Esse era seu conceito de surpresa. No mesmo dia fui pra periferia e perguntei a mesma coisa, e outro menino me responde que “surpresa é quando meu pai chega, eu tô no portão e ele traz com um saquinho de pão”.

E finalizou afirmando que trabalha com cidadania, citando o Professor Milton Santos: “usuário é a pessoa passa pela vida e acha que nada tem a ver com ele, é alienado. O consumidor, conhece os seus direitos, mas briga individualmente por eles. E o cidadão, segundo Santos, é aquele que conhece todos os direitos, mas enfrenta e briga coletivamente”.

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