Black Friday termina com quase 3 mil reclamações no Reclame AQUI

Consumidor brasileiro reclamou menos, mas pesquisou mais antes de comprar

ReclameAQUI

Tudo é caro para quem não tem dinheiro. O brasileiro que enfrentou um 2016 de crise econômica e política se comportou com muita cautela na Black Friday deste ano. O consumidor investiu mais tempo para pesquisar do que para comprar e isso refletiu no resultado do monitoramento do Reclame AQUI, em parceria com a Mooba, Precifica, Keyrus e KnowIt!, durante as horas de megaofertas. Das 18h de quinta-feira, dia 24 até a 0h deste sábado, dia 26, foram registradas 2.912 reclamações, um terço a menos que em 2015, quando foram computadas 4,4 mil queixas.

A Black Friday se consolida no varejo online, superando datas como Dia das Mães e Natal, mas acompanha a economia e, por isso, apresentou queda. Enquanto isso, as pesquisas para consultar a reputação das empresas no Reclame AQUI cresceram 26%.

Problemas das empresas

Os cinco principais motivos de reclamações foram propaganda enganosa, responsável por 22%, seguido de divergência de valores, 15%; problemas na finalização da compra, 12%; produto indisponível, 7,7%; e promoção, com 6,6%. Protagonista em outras edições, a maquiagem de preço - o famoso "metade do dobro" - foi apenas o sexto motivo de queixas, 5,4%.

Assim como em 2015, a loja virtual Kabum! fechou esta edição da Black Friday na liderança com 588 queixas, seguida da Americanas.com-Loja Online, com 249, e Submarino, com 149 reclamações.

Produtos mais reclamados

Os smartphones foram um dos produtos mais buscados na Black Friday, por isso, representaram 10,2% do volume de reclamações, ficando em primeiro lugar entre os produtos que mais tiveram problemas. Em segundo lugar apareceram componentes, peças e acessórios de eletroeletrônicos, com 7%, seguido de TV, com 6,4%, celular, 6% e notebooks, com 3,2%.

Como foram as 24 horas de Black Friday

Em apenas três das 12 primeiras horas da BF, houve mais reclamações este ano do que em 2015. Já, nas 12 horas finais desta sexta-feira oito desses períodos tiveram mais reclamações do que o ano passado, o que demonstra um deslocamento das compras para as segunda metade da promoção. Antes os consumidores compararam os preços, procuraram promoções verdadeiras e consultaram reputação das empresas que estavam anunciando.

Monitoramento das redes sociais

Por meio das ferramentas HugMe, o Reclame AQUI também observou o comportamento dos consumidores nas redes sociais. Embora tenha reclamado menos, reflexo do menor volume de compras e do menor congestionamento dos sites, o consumidor pesquisou mais. A Black Friday conseguiu pela manhã mais destaque relativo que na madrugada, mesmo com a crise no governo de Michel Temer e o pedido de demissão do ministro Geddel Vieira Lima, que tomaram conta dos noticiários nas últimas horas. A Americanas chegou ao 14º lugar nos Trending Topics do Twitter, enquanto tinha sido no máximo o 19º antes de amanhecer. 

Os homens falaram mais da Black Friday nas redes sociais e também lideraram as reclamações. Foram deles 62% das queixas registradas no Reclame AQUI. A faixa etária que mais reclamou foi entre 25 e 35 anos, concentrando 43,1% das queixas registradas, seguida pela faixa entre 36 e 45 anos, com 17,5%. 

Análise

Segundo os dados oficiais do  Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho,  outubro foi o 19º mês em demissões a mais do que contratações.

Este ano, na média, os descontos oferecidos foram menores, um reflexo do esforço feito pelas empresas nos meses anteriores para tentar manter as vendas em um cenário de menor demanda dos consumidores e de custos crescentes. A margem de lucro das lojas online já estava sendo reduzida, tendo sobrado pouca flexibilidade para diminuir de modo significativo os preços de produtos relevantes para o consumidor.

"As lojas ofereceram de 20 a 30% de desconto, mas o consumidor esperava 50 ou 60%, por isso não ficou tão atraído pelas ofertas na Black Friday", disse o CEO do Reclame AQUI, Maurício Vargas.

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